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Entrevista com Glauber Filho PDF Imprimir E-mail
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Qua, 29 de Agosto de 2007 09:47

Segundo Glauber Filho, a idéia de produzir o filme sobre o personagem surgiu a partir de uma conversa com a Associação Estação da Luz (a mesma que promove a Mostra Brasileira de Teatro Transcedental). ´Bezerra era um homem que estava à frente de seu tempo. Além do que, ele exerceu o ofício da Medicina como sacerdócio. Teve posses e se desfez dessas posses com o exercício da medicina. Exerceu a caridade ao extremo. Então, ele é um grande vulto da história social e política brasileira e ainda é considerado hoje um referencial dentro do universo espírita´, afirma o diretor.

O nordeste brasileiro sempre foi um cenário riquíssimo para as mais variadas produções artísticas, em especial, o cinema. Sabemos que a imagem clássica do nordeste (paisagens áridas, pobreza, tipo étnico específico etc) é apresentada com muita freqüência, às vezes vezes de forma estereotipada. Bezerra de Menezes é um filme de época e que tem algumas passagens no nordeste. Houve uma preocupação, da sua parte e do Joel Pimentel, em retratar essa realidade sem cair em certos clichês?

Glauber Filho - Sem dúvidas! Não acreditamos num nordeste com estes estereótipos, até porque, estes, podem ser aplicados a qualquer região do país. O estereótipo mais grave, tratado por alguns meios de comunicação, é a imagem do nordestino como um personagem débil e engraçado - Não acreditamos nisso. O nordeste que fazemos  tem seus problemas, mas é formado por pessoas inteligentes que conseguem superar as adversidades da vida, de forma humorada, afetuosa e criativa. Nordeste de Câmara Cascudo, Capistrano de Abreu, Alberto Nepomunceno, José de Alencar, Jorge Amado, Brenan, Ariano Suassuna e de Bezerra de Menezes. A realidade tratada no filme passa por essas referências.

Você falou, em uma entrevista concedida ao site Jornal dos Espíritos, que muitas pessoas acabam "alimentando o ego por se dizerem humildes e praticantes da caridade".  E com relação ao dr. Bezerra? Como foi filmar a vida de um homem realmente íntegro, sem cair no esteriótipo da (falsa) bondade/humildade?

Glauber Filho - Foi algo extremamente prazeroso. O Dr. Bezerrra Menezes não fazia "marketing" de suas ações. Não procurava a celebridade. Para todos da equipe, a história do Médico dos Pobres foi uma lição de vida. É incrível e ao mesmo tempo belo relatar a biografia de um homem que praticava o espiritismo antes mesmo de conhecê-lo.

Através de filmes e documentários, nos chega uma imagem que mostra a maior parte dos nordestinos como sendo um "povo" simples, com uma fé mais centrada na devoção do que na razão. Isso condiz com a realidade ou o próprio Bezerra de Menezes é um exemplo de que a religiosidade nordestina é mais heterogênea do que imaginamos?

Glauber Filho - Sim. Bezerra de Menezes é um exemplo da nossa heterogeneidade religiosa. Para se ter uma idéia, encontramos personagens reais que admiram Bezerra a partir de outras doutrinas, muitas vezes até agnósticas. Uma parteira devota de Bezerra e Padre Cícero, um Frei Capuchino que reconhece a elevação espiritual do médico e Assentados do movimento do MST que cultuam Bezerra de Menezes.

Vocês fizeram um filme para espíritas ou procuraram fazer uma abordagem menos doutrinária e mais cultural?

Glauber Filho - Toda vez que essa pergunta se repete fico pensando o que é um filme para espíritas? Não sei como seria este tipo de filme! O Lutero não foi um filme para protestantes. Paixão de Cristo não proibiu a entrada de Judeus nos cinemas. Amor Além da Vida não foi realizado somente para espíritas.

Procuramos fazer um filme que não fosse dogmático e catequizador, mas simplesmente contar a história de Bezerra a partir do seu nascimento até o desencarne. Aspectos da doutrina são abordados sim, faz parte da vida de nosso personagem - Imaginem um filme sobre Padre Cícero sem falar dos ritos da religião católica. Temos que entender que mesmo sendo espírita, ou não, o espiritismo é parte do sincretismo brasileiro e, portanto, da nossa Cultura.

Como você analisa a abordagem dada a filmes com temática espiritualista (Ghost, Sexto sentido etc)? Você acha que ainda é preciso um maior amadurecimento?

Glauber Filho - A grande magia do cinema é fazer com que o público construa o filme no momento em que ele está passando. O que quero dizer é que os espíritas assistiram essas obras a partir de seus valores e conhecimento e da mesma maneira os católicos. Não tenho dúvidas que para esses espectadores são dois filmes diferentes. Então, acho que estas obras são muito bem elaboradas e bem realizadas, mas não as vejo como inspiradas na doutrina espírita.

Lendo algumas obras espíritas como a coleção de André Luís, por exemplo, percebi que há outros filmes que me parecem muito mais comprometidos com a espiritualidade do que as obras cinematográficas que evidenciam aparições e manifestações de espíritos. O que me atrai são os dramas vividos pelos personagens e seus ajustes. Assim, acredito que o filme Beleza Americana é muito mais comprometido com a filosofia espiritualista do que Os Outros, por exemplo.

Você acha que o filme Bezerra de Menezes, por tratar de uma personagem espírita, enfrentará certa dificuldade/preconceito no meio cultural brasileiro?

Glauber Filho - Não de público. Acho que se houver preconceito vai ser pouco. Este medo do preconceito é muito mais presente no meio espírita do que do leigo. As pessoas, que já me abordaram e que não são espíritas, querem assistir o filme - Não houve até o momento nenhum comentário preconceituoso.

Qual foi a mensagem principal que você procurou passar através do filme?

Glauber Filho - A prática da caridade e da compaixão.

Gostaria de deixar uma mensagem final? 

Glauber Filho - Assistam ao filme. É importante que o público participe. Fazer cinema no Brasil é difícil, principalmente ocupar as salas de cinemas. Após a finalização do obra, iremos disputar esses espaços com filmes internacionais. Assim, se conseguirmos uma grande presença de público, ficaremos  mais tempo em cartaz. Por conseguinte, se isso acontecer, outras obras espiritualistas surgirão na sétima arte nacional. Abraços a todos.

 

Entrevista publicada com exclusividade no site da Revista Cristã de Espiritismo.
 

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