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Ciência e Espiritualidade PDF Imprimir E-mail
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Seg, 03 de Dezembro de 2007 15:39

Dr. Sérgio, como começou a sua jornada dentro da área da Ciência e Espiritualidade?

Esta questão da universidade, da Ciência e espiritualidade, é uma questão que eu venho já me empenhando há mais de 20 anos.

Quando eu era estudante na Faculdade de Medicina, comecei a fazer reuniões de estudos do Espiritismo, seus aspectos científicos e até religiosos, porque havia colegas meus que procuravam apoio religioso.

E nós montamos, na ocasião, o Núcleo de Estudos Espíritas de Professores, Alunos e Servidores da Universidade de São Paulo (NEEUSP), que foi uma instituição, como uma agremiação dentro da universidade. Quanto aos professores, a professora Irvênia Santis Prada me deu o apoio e o norte para muitas atividades e o encaminhamento do NEEUSP.

Nós criamos este movimento dentro da universidade que foi muito interessante. Havia sessões e reuniões de estudos com professores da universidade, estudantes e cientistas. Criou-se um verdadeiro movimento cultural, voltado para este aspecto dentro da universidade. Ocorriam reuniões com cerca de 90 participantes na Cidade Universitária, na Faculdade de Medicina e na Faculdade de Direito, no Largo São Francisco.

Quando eu me formei e comecei a trabalhar como médico, me desliguei temporariamente da Universidade de São Paulo, e o NEEUSP morreu. Ninguém se empenhou em sustentar aquelas atividades. E isso me impressionou, porque me deu a impressão de que era a minha presença, ali, que sustentava o movimento do grupo. E eu fiquei questionando até se o movimento existiu do ponto de vista concreto. Repercussões com certeza houve, mas questionei se ele existiu mesmo.

Fale um pouco sobre o curso Bases Psicobiofísicas e Epistemológicas - Integração Cérebro-mente-corpo-espírito, que o Sr. ministrou na Universidade de São Paulo?

Depois do NEEUSP, eu voltei para a Universidade de São Paulo e coloquei em debate toda uma série de pensamentos que foram produtos de uma das minhas pesquisas ao longo de alguns anos, sobre a questão do cérebro-mente-corpo-espírito. Isto então se tornou um curso, que dei durante quase uma década na Universidade de São Paulo, que foi o curso Bases Psicobiofísicas e Epistemológicas Integração Cérebro-mente-Corpo-Espírito.

Eu consegui um apoio da congregação da universidade e subloquei algumas salas, de acordo com o que era chamado de convênio Universidade e Empresas. Este curso foi pré-aprovado pelo Conselho da Universidade para ser ministrado lá dentro, de forma extracurricular.

Eu tive 1.200 alunos durante esta década de curso, dentre eles, alunos e professores da universidade, e realmente teve um impacto bem grande na universidade e na Imprensa.

Durante este período eu defendi a minha tese, porque eu estava buscando entender a neurofisiologia da mediunidade. Estudei a glândula pineal no microscópio eletrônico. E procurei trazer fundamentos científicos para as hipóteses que levantava nos cursos.

Mas por que, depois de tanto sucesso, o curso acabou?

Eu entendi que o sistema corporativo da Universidade de São Paulo dificilmente seria quebrado, e não era porque o tema era espiritualidade; qualquer idéia nova na universidade seria difícil resistir. Por causa do sistema corporativo fechado e da disputa de poder.

Então, eu pensei assim: e se eu criasse um movimento fora da Universidade de São Paulo que permitisse a participação dos próprios docentes, imunes da questão de lutas de poder. Então foi por isso que o movimento do NEEUSP não pegou ali dentro. Mas havia, ainda, o interesse dos alunos e dos professores por tudo isso.

Como surgiu a idéia de fazer este curso fora da Universidade de São Paulo?

Eu pensei que se fizesse este curso fora da universidade, talvez eles viriam, como de fato aconteceu. Fiz várias reuniões fora da Universidade de São Paulo, em centros espíritas, em instituições filantrópicas que ofereciam anfiteatro, e sempre lotava, como lotava na universidade. Inclusive, alguns professores freqüentavam com mais espontaneidade e até sugeriam linhas de pesquisa.

Eu comecei a perceber que seria possível montar um movimento de ciência e espiritualidade com mais facilidade e produtividade fora da universidade.

Foi um professor que teve grande influência sobre mim neste sentido. Ele era diretor de um instituto importante dentro da Faculdade de Medicina, e ele me disse assim: “O conhecimento na contemporaneidade, ou seja, a produção de conhecimento não está saindo de dentro das universidades. Está vindo de fora delas”. Então, quando ele me disse isso, eu pensei que não era de dentro da universidade que ia surgir isso, que eu tinha que criar um outro tipo de movimento.

Conte-nos como e quando surgiu o Projeto da Uniespírito?

Resolvi, então, tentar esta possibilidade de um novo movimento. Foi quando eu recebi a visita de empresários, dizendo que queriam apoiar financeiramente algum projeto meu. Até foi engraçado, porque eu fiz um projeto de um laboratório e eles disseram que era muito pouco perto do dinheiro que eles tinham para investir. Então, eu pensei: vou tirar da gaveta o projeto da Uniespírito, mas estes empresários sumiram.

Como era o Projeto inicial da Uniespírito?

Em um determinado momento, eu recebi apoio da Fundação Espírita André Luiz (FEAL), mas aí aconteceu um fenômeno muito curioso. A idéia era construir o campus dentro da Fundação Espírita André Luiz. Nós começamos a produzir cursos e-learning, que faziam parte de todo um projeto de implantação da Uniespírito. O curso chegou a ter 70.000 mil acessos por mês. Foi um sucesso! Mas eu não consegui acompanhar a demanda e o crescimento de alunos no curso. E tão pouco a Fundação tinha condições de me dar uma estrutura para suportar o ritmo do curso.

Então, tive que dar um passo para trás, para começar de um jeito que eu podia acompanhar. Assim, eu pedi licença para a Fundação e mantive um relacionamento apenas por causa da mídia (Rádio Boa Nova e a TV).

Quais os cursos que estão em andamento?

Eu vou ancorar o curso de Pedagogia Espírita da Profa. Dra. Dora Incontri. A fim de estruturar modelos pedagógicos alternativos ao que hoje nós temos como pedagogia tradicional.

No que diz respeito à área de Ciências Exatas e Biológicas, eu vou agregar em torno do curso que estou ministrando atualmente - Psicobiofísica do Pensamento - a Engenharia, a Física e a Biologia para estudar o pensamento. Além de estudos como sobrevivência após a morte.

Hoje, nós temos cerca de setenta alunos das mais diversas profissões e estudantes, que vão começar a dar corpo a Universidade, ao longo de uma década pelo menos.

Outro curso é a Escola de Aperfeiçoamento Médico, que futuramente será o hospital e os ambulatórios, agregando medicina e espiritualidade nas suas mais diversas especialidades.

Todos são Cursos de Extensão Universitária?

Eu queria que a Uniespírito fosse um local em que as pessoas procurassem para aperfeiçoamento ou para desenvolvimento pessoal. Que a pessoa fizesse a sua faculdade e depois viesse para complementar o currículo na Uniespírito.

Por quê? Porque quando se fala de ciências do espírito, deve haver uma coincidência entre a busca do conhecimento e da tecnologia, e o conhecimento de si mesmo. Então, quando a pessoa entra na Uniespírito, ela deve estar pensando que ao mesmo tempo em que ela está descortinando a natureza externa, ela está também descortinando a natureza interna. Desta forma, a Uniespírito não pode estar fechada em programas de cursos, diplomas e obrigações de prova. Porque a pessoa deve estar lá por prazer, livre e sem pressão.

E quanto às pesquisas?

Tenho engatilhadas quase trinta linhas de pesquisa, que vão desde pesquisas relacionadas a sobrevivência após a morte, até pesquisas médicas sobre os efeitos do tratamento espiritual no tratamento médico. Além de pesquisas tecnológicas, como a Transcomunicação Instrumental e pesquisas sobre o perispírito.

Outra questão importante é que estou começando a abrir na Uniespírito um setor voltado para a Arte. Nós vamos trabalhar a Arte como um instrumento pedagógico, como terapia e em estados de transe. Temos cursos de desenho, pintura, de música (com a colaboração de um maestro) e outras atividades ainda em processo de estruturação. Na verdade este setor ainda é um embrião.

Como será a orientação destas pesquisas?

A Uniespírito deve estar apoiada em idéias novas, no que diz respeito à forma como pesquisar a Natureza, a metodologia científica e a epistemologia. Por exemplo, para nós, não interessa que uma banca examinadora certifique se um trabalho científico tem veracidade. Para nós, o que importa é se este trabalho científico pode se reverter em algum projeto de transformação social. Então, a interatividade com a sociedade e a prática da ação social, seja na área da Educação, na área médica ou na área da ação social é fundamental. E é uma das vias de testagem daquilo que é pesquisado. Porque se os cientistas movimentam o seu intelecto para descortinar alguma coisa, alguma fórmula matemática, por exemplo, isso tem reverter para o social. Pode até ser questionável o que eu estou colocando...mas eu penso desta forma. E é desta forma que eu gostaria de encaminhar a Uniespírito.

A Uniespírito vai ter alcance internacional, assim como o próprio nome diz?

Eu optei por uma Universidade Internacional, não por uma idéia de grandeza. Eu fiz várias viagens para o exterior, buscando lideranças que pudessem responder pelo projeto da Uniespírito. E eu encontrei algumas lideranças. Neste ano vamos começar a trabalhar esta questão do estrangeiro.

São vários países na América do Sul, América do Norte e Europa. A idéia é utilizar como base a Internet. Desta forma, os cursos seriam cosmopolitas. Numa mesma classe virtual teríamos alemães, japoneses, ingleses, americanos e brasileiros. E depois, promover encontros internacionais para que os alunos possam se conhecer e interagir.

Por exemplo, no dia 27 de julho começamos o curso e-learning. Os alunos que fizerem os quatro módulos terão certificado do curso de Extensão Universitária “Bases Biofísicas e Epistemológicas da Integração Cérebro-Mente-Corpo-Espírito”. No entanto, cada módulo irá oferecer ao aluno a sua certificação.

Para grupos de dirigentes de centros espíritas, o custo do curso será 50% menor, havendo a necessidade de enviar declaração da instituição indicando até três dirigentes que receberão login e senha para acessar o curso.

A Uniespírito vai ter convênios com outras instituições?

Será assim, por exemplo: nós vamos trabalhar com Transcomunicação Instrumental agregada a estudos da mediunidade psicográfica. Agregado a este estudo, um trabalho de psicologia para receber pessoas que perderam familiares e precisam de orientação. O que aconteceu? Foi possível unir uma pesquisa tecnológica de TCI com assistência.

Outro exemplo: a Escola de Aperfeiçoamento Médico tem um Ambulatório-Escola, que atende pacientes terminais ou com doenças que a Medicina não encontrou a cura e necessita ampliar os horizontes terapêuticos.

Nós temos ainda o Programa SOS Gestante, que é um estudo do psiquismo fetal e, depois, o apoio a gestante para sustentação da vida intrauterina.

Estamos, também, tratando do assunto Gerontologia e Geriatria, com apoio e certificação de asilos. Porque existem muitos asilos em má condição que necessitam de apoio na reconstrução.

Que outros projetos estão em estruturação?

Estou trabalhando também para estruturar um MBA em Administração para o Terceiro Setor. Porque acredito que as Instituições Filantrópicas precisam de modernização.

Nos EUA, por exemplo, a filantropia é um dos grandes sustentáculos da sociedade; no Brasil não, porque existem algumas falhas na lei que precisam ser corrigidas.

Existe, ainda, o Instituto de Projetos para a Paz, que é a criação de um Instituto para a formação Pedagógica da Polícia Militar em polícia preventiva. Um dos projetos é o “Paz no Lar para a Paz Social”. Nós teríamos nas unidades móveis da polícia, o policial pedagogo, o policial psicólogo, que trabalha junto às comunidades pela paz no lar e para evitar a violência. São todos projetos que pretendemos estar encaminhando junto a diversas instituições.

Para encerrar, em quais princípios a Uniespírito está apoiada?

A Uniespírito está apoiada em postulados fundamentais: a valorização da vida e princípios éticos que eu extraio da filosofia de Kardec.

Por exemplo, não cabe na Uniespírito, pesquisas sobre armamentos ou armas nucleares. Não nos interessam pesquisas sobre aborto ou sobre eutanásia. Nos interessa pesquisas sobre a vida, valorização da vida e da paz. O que leva à guerra não nos interessa. Há muitas universidades que vivem de pesquisas que acabam municiando a guerra.

Na verdade a Uniespírito é um projeto muito iniciante mas que promete ser um sucesso devido às bases sólidas em que ela vem sendo estruturada. Um projeto pequeno, mas com bases sólidas.

 

Entrevista publicada na Revista Cristã de Espiritismo, edição 42.
Ao reproduzir o texto, favor citar o autor e a fonte.
 

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