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A Igreja Católica: um breve histórico PDF Imprimir E-mail
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Qua, 06 de Dezembro de 2006 15:53

Considerado o prolongamento homogêneo do judaísmo, originário da Judéia e difundido inicialmente no Oriente, cristianismo vem do designativo "Cristo" dado a Jesus, que viveu na Palestina, na época da dominação romana, sob os reinados de Augusto e Tibério, sendo crucificado em Jerusalém. Sua vinda foi precedida de uma milenar e universal expectativa sobre um Messias que viria libertar o gênero humano de seus infortúnios. Esperado a qualquer momento em todo mundo, na China, na Ásia, na Pérsia, na Índia, veio finalmente no seio do povo judeu para completar os ensinamentos de Moisés, que convenientemente, preparou tal evento. Esse privilégio foi dado aos judeus, entre outras razões, por convir localizar o acontecimento em ponto eqüidistante do Oriente e Ocidente e por estar a Palestina mais próxima do maior centro civilizado e político da época, Roma.

A chegada de Jesus

Jesus nasceu em Belém, filho de Maria, que seria descendente, ela própria, da raça real de David (segundo rei dos hebreus), provavelmente quatro a cinco anos antes do que se convencionou chamar de "era cristã" (isso porque o início dessa época foi fixado seiscentos anos mais tarde por Dionísio, o pequeno). Segundo os Evangelhos, o presépio que serviu de berço a Jesus foi visitado pelos magos do Oriente. Herodes, rei da Judéia, temendo a vinda de Messias anunciada para essa época, teria mandado matar os recém-nascidos, porém, José, seu pai, e Maria, fugiram para o Egito e só retornaram para Nazaré, na Galiléia, após a morte de Herodes. Sabe-se que, aos doze anos de idade, Jesus trabalhava na oficina de seu pai e discutia no Templo com doutores, deixando-os maravilhados com suas respostas. A partir dos treze anos de idade, teria mantido contato com os sábios religiosos, possivelmente os essênios. Na verdade, segundo muitos pesquisadores, isso tudo não passa de mito e fantasia. Não é um fato histórico. Pra começar, muitos historiadores afirmam que a cidade de Nazaré nem sequer existia nesta época.

Com cerca de trinta anos, Jesus recebeu de João Batista, o batismo no rio Jordão, sendo então publicamente reconhecido por alguns como o Messias, o salvador prometido pelos profetas. Após permanecer algum tempo no deserto, Jesus reuniu entre trabalhadores de seu povo, doze discípulos que deveriam prosseguir em seus ensinamentos após sua morte. Assim, no ano vinte e oito, começou a pregar, sobretudo na Galiléia, tendo estado também na Judéia, exemplificando o amor, a lei soberana e definitiva da evolução humana. Os constantes atritos entre as idéias e interpretações defendidas por Jesus e a mentalidade de sua época acabaram levando-o à cruz. Ele teria morrido no ano trinta, aos trinta e três anos de idade, "ressuscitando" ao terceiro dia, tendo aparecido a muitos de seus discípulos, encarregando-os de espalhar a sua doutrina pelo mundo inteiro.

O cristianismo, na realidade, nasceu somente após a crucificação de Jesus, tendo em seus primeiros tempos, aspectos bem diferentes do que mais tarde foram introduzidos por seus seguidores. Após sua morte, os discípulos foram se reunindo em Jerusalém em torno de Pedro, o discípulo mais autorizado, e passaram a viver em comunidade, repartindo fraternalmente esperanças e bens. Chamados Nazarenos, Irmãos do caminho ou ainda Discípulos do carpinteiro, propuseram-se a converter ao cristianismo os judeus de Jerusalém, embora, na realidade, hesitassem entre a formação de uma comunidade judaica-cristã ou uma comunidade nova aberta aos não judeus.

A antiga "aliança de Deus", havia sido feita com um povo, uma raça, mas a nova, não se aprendia a qualquer limite, era universal. Os Apóstolos decidiram que os pagãos poderiam entrar para a comunidade sem estarem obrigados aos preceitos rituais do judaísmo. Esta orientação decisiva teve como autor e promotor principal, Paulo de Tarso, judeu convertido, que ao longo de suas viagens missionárias implantou e firmou a doutrina de Cristo.

A descida do "Espírito Santo", sob a forma de línguas de fogo, ou simplesmente "manifestação espírita", conforme entendemos, sobre os apóstolos reunidos no Cenáculo, foi o acontecimento que marcou o início da Igreja. A partir daí, passaram a utilizar o termo "igreja" (do grego ekklesia) em sua forma original "assembléia" para pregar a fraternidade, igualdade e a submissão a Deus. Na realidade, a primeira das sete primitivas igrejas do cristianismo foi fundada em Antióquia, por Paulo de Tarso, conforme ato dos Apóstolos (11, 26), e foi lá que os discípulos do carpinteiro tomaram pela primeira vez o nome de "cristãos" que significa "ungidos". É o equivalente de "Messias", o salvador que os judeus esperavam. Cristãos, a partir de então, seriam todos aqueles que, independentemente de sua raça ou condição social, respondessem à convocação de Deus através da mensagem revelada de Jesus.

De início, a relação entre os cristãos e o Império Romano foi de hostilidade. Já no ano de 68, o imperador Nero decretou uma perseguição sistemática contra eles, ceifando a vida dos primeiros pregadores. Até o inicio do século IV, muitas outras perseguições se sucederam, e milhares de adeptos foram sendo eliminados em diferentes épocas e lugares, alternando-se com períodos de paz. A acusação era de descrença por não adorarem os deuses de Roma, nem admitirem a divindade do Imperador. Pelo édito de Milão, no ano de 313, o Imperador Constantino concedeu a liberdade religiosa (como se revelara inútil pretender sustar o crescimento do cristianismo, era mais vantajoso fazer dele uma religião oficial). Para quem fora perseguido, era maravilhoso. "Acreditar-se-iam transportados ao Reino de Deus".

Roma incorpora o cristianismo

O triunfo do cristianismo fez com que a Igreja Cristã desabrochasse. Os bispos tornaram-se personagens centrais em cada cidade. Foram chamados de "pontífices", nome dado aos sacerdotes romanos. Concílios reginais asseguraram as ligações orgânicas e a unidade doutrinal, arbitrada pelo bispo de Roma, cujo primado parece ter sido aceito desde muito cedo. Construiram-se e sagraram-se, então, igrejas mais grandiosas que o Templo de Jerusalém, e a exemplo do judaísmo, os vasos sagrados eram de ouro e as vestes sacerdotais de linho e seda. Festas populares foram cristianizadas, como a do "Sol Renascente" que se tornou Natal, comemoração do nascimento de Jesus. O Cristianismo, portanto, foi assimilado pela cultura romana, que assumiu-a em muitas de suas manifestações, tanto eruditas como populares.

Conseqüentemente, com a expansão do cristianismo, sobressaiu o sentido numérico e geográfico de "católico". A igreja que engloba todos os homens se espalha por toda a Terra. Derivado do termo grego Katholikos, que significa "universal", não aparece no Novo Testamento, porém, há séculos está associado à Igreja Católica, expressão esta empregada pela primeira vez no ano 110, por Inácio, bispo de Antióquia.

Em linhas gerais os códigos doutrinários do cristianismo são: a Bíblia, que se divide em Antigo e Novo Testamento, o primeiro contendo os cinco livros de Moisés; e o segundo, que contém as narrativas da vida e dos ensinamentos de Jesus, contendo os evangelhos (Boa Nova) narrados por Lucas, João, Marcos e Matheus.

Divergências no cristianismo

A respeito de certos pontos especiais, porém, não existe ainda unanimidade dos cristãos sobre o verdadeiro sentido e alcance da mensagem evangélica. Essas diferentes interpretações caracterizam doutrinariamente as diversas confissões cristãs. Nesse sentido, também a Igreja Católica possui características doutrinárias próprias que a distingüem das outras Igrejas. A primeira grande questão diz respeito à própria noção de Igreja. O que caracteriza o catolicismo é seu apego à união do material e do espiritual na organização da Igreja, considerada como uma decorrência do próprio fato da encarnação de Jesus Cristo. Já que o filho de Deus se fez homem de verdade, não podem existir duas Igrejas: uma invisível conhecida somente por Deus, constituída pelos justos, santa, e outra visível, obra humana, pecadora, devendo ser reformada constantemente mesmo sob pena de subdividir-se indefinidamente ao sabor das circunstâncias.

Para o catolicismo, pois, a vontade de Cristo é que sua Igreja seja uma, tanto pela unidade do espiritual e do humano como pela comunhão de todos os cristãos numa só Igreja. Como concretização dessa integração, a igreja apresenta todo um universo sacramental, no qual, através de ritos e celebrações, o próprio Cristo santificaria os cristãos. Os sete sacramentos, longe de serem interferência humana na comunicação direta entre o homem e Deus, simbolizam e realizam a união da graça espiritual e da participação humana, conduzindo o cristão a comunhão pessoal com Deus. O catolicismo reconhece que na organização visível da Igreja existem muitos elementos oriundos de tradições humanas. Estes podem ser transformados ou mesmo suprimidos. Mas afirma que existem outros instituídos pelo Cristo e dos quais a Igreja nunca poderá abrir mão, mesmo que comunidades inteiras a abandonem.

Basicamente, esses elementos são os sacramentos da Ordem e o primado do papa. Pelo batismo, todos os cristãos participam do sacerdócio de Jesus Cristo. Mas entre todos, alguns recebem um sacramento especial, a Ordem, pelo qual são designados para desempenhar certas funções para a realização do bem de toda a Igreja: o serviço da Palavra de Deus, a santificação pelo sacramento, e o governo da Igreja. Historicamente, o sacramento da Ordem estruturou-se em três graus: diáconos, padres e bispos. O governo da Igreja foi muito cedo reinvindicado pelos bispos de Roma, em nome dos privilégios pessoais do apóstolo Pedro. Os Papas tiveram sua primazia consolidada pelo valor pessoal e pela importância política e moral da cidade de Roma.

O primado papal representa um dos principais focos de divergência entre as outras Igrejas e a Igreja Católica. Esta a valoriza a ponto de reconhecer uma assistência especial do Espírito Santo, garantindo sua infalibilidade em matéria de fé; outras recusam-no categoricamente. A posição católica é firme: foi Cristo quem colocou Pedro à frente dos demais apóstolos, devendo esse primado perpetuar-se em seus sucessores. Na Igreja primitiva, o papa era eleito pelo clero romano, pelo povo e pelos bispos de província. As pressões externas, na Alta Idade Média, cresceram tanto, que os papas foram obrigados a restringir o corpo eleitoral, eliminando todo elemento leigo e o clero inferior. A eleição papal cabe, desde então aos cardeais-bispos.

Gregório X, em 1724, promulgou a bula que formulou as regras dos futuros conclaves (cum clave, "sob-chave"), regras estritas que obrigavam fisicamente a apressar a eleição de um pontífice. Gregório XV aperfeiçoou um minucioso cerimonial de eleição que está em uso até hoje. Pio IX definiu em 1869, no Concílio Vaticano, a infalibilidade do Papa. Assim, seu sucessor, Leão XIII, conseguiu ao longo do pontificado (1878-1903) uma situação moral respeitada quando serviu de medianeiro nos conflitos internacionais; sob Pio XI e Pio XII, definiram-se problemas políticos e sociais e foram intensificadas em todos os continentes as ações missionárias. Ao ser eleito, o papa assume dupla prerrogativa: O primado de jurisdição e a infalibilidade quando torna "ex-cathedra" uma decisão doutrinal.

A residência oficial do papa é o Vaticano, cuja construção do primeiro palácio é atribuida a Constantino. Situado na colina que os romanos chamam de Vaticanus, no limite da cidade de Roma, contém a Basílica de São Pedro, o palácio pontificial, o museu e jardins. O Tratado de Latrão, assinado em 11 de fevereiro de 1929, entre o estadista italiano Benedito Mussoline e o representante de Pio XI, o cardeal Pietro Gasparini, tornou o pequeno território, um Estado soberano. É regido por uma lei de 24 de junho de 1969, segundo o qual o papa exerce seu poder executivo e legislativo por meio de uma comissão cardinalícia presidida pelo secretário de Estado. Apesar dos reveses ao longo dos séculos, o papado viu crescer sua autoridade, no ponto de vista religioso, e goza de grande prestígio em seu meio cultural.

A Bíblia

A segunda questão refere-se ao uso e interpretação da Bíblia. Para a Igreja Católica, a Bíblia é produto da Revelação Divina e a Igreja a interpreta sob inspiração do "Espírito Santo". Defendem também o valor da Tradição, ou seja, o conjunto de ensinamentos transmitidos de geração em geração. Os textos antigos não tem o mesmo valor da Bíblia mas devem ser respeitados como autênticas interpretações da palavra de Deus. A Reforma do século XVI considerava que a mensagem de Cristo tinha sido deturpada por posições "catolizantes". A Igreja Católica reagiu dificultando o acesso dos leitores aos textos bíblicos. Desde o século XIX essa questão evoluiu bastante. Hoje a leitura da Bíblia é incentivada, como também, a revisão de certas interpretações pelos recursos modernos.

A Fé, segundo a Igreja

Uma terceira questão caracteriza o catolicismo: a importância dada aos dogmas de fé. Para a Igreja Católica, a fé representa o ato por meio do qual se crê nas verdades que Deus revelou através de seu Filho e por sua Igreja. Estas estão contidas no símbolo dos apóstolos: crença em Deus, no mistério da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), nos mistérios da encarnação, da Rendeção e da Ressurreição, na ressurreição da carne e na vida eterna. A fé é sustentada por sete sacramentos reconhecidos pela Igreja Católica: batismo, confirmação (crisma), confissão, eucaristia, ordem, matrimônio e extrema-unção. Os dogmas foram elaborados progressivamente e são considerados como interpretação que gozam do mesmo valor das verdades reveladas.

O último aspecto marcante no catolicismo é o culto aos santos. A Reforma considera inadmissível essa multidão de intermediários entre o homem e Deus, mas o catolicismo, ao contrário, reconhece uma solidariedade espiritual entre todos aqueles que em vida foram agradáveis a Deus. Admite, portanto, como válida a veneração àqueles cristãos que em vida se tornaram exemplos excepcionais de dignidade. O catolicismo ensina também que seus méritos por causa de Cristo, podem beneficiar a Igreja.

A divisão em Igreja Ortodoxa

As divisões em várias confissões cristãs, explicadas por condições históricas não são um mero acidente de percurso, mas uma infidelidade ao Evangelho que é ele mesmo uma força de união. O crisitianismo transcende a noção da instituição e de técnicas religiosas; ele é o comprometimento com a realização da obra redentora de Cristo. Por isso, a ferida mais viva do cristianismo foi e continua sendo a divisão entre os cristãos, que interpretam de maneira diversa a mensagem de Jesus. O princípio dessas separações é diferente em cada caso histórico: no século XI, Miguel Keroularios, patriarca de Constantinopla, recusou-se aceitar a supremacia papal e rompeu com o papa. A Igreja ocidental continuou chamando-se Igreja Católica. A oriental, por sua vez, passou a adotar o nome de Igreja Ortodoxa.

A Reforma do Século XVI veio trazer um questionamento radical para a catolicidade da Igreja. Desta vez, a divisão processou-se no próprio seio da Igreja ocidental. A crítica da doutrina cristã tal como era ensinada por Roma, resultou no chamado "cisma". As Igrejas Católica e Protestante separaram-se por não concordarem quanto a uma revisão da interpretação tradicional do cristianismo, especialmente no que se refere ao lugar e função da Igreja no plano divino e o seu papel nas relações entre o homem e Deus.

O século XX, porém, transformou radicalmente esse panorama. Os cristãos perceberam que suas divisões são injustificaveis. Com o Concílio Vaticano II (1962-1965), confirmou-se na Igreja Católica uma tendência para superar seus particularismos não requeridos pelo cristianismo. Novas orientações foram implantadas, ligadas a um melhor conhecimento das outras Igrejas cristãs. Por sua vez, entre as Igrejas reformadas, desde o início do século XX, formou-se um movimento em vista da restauração da unidade e conseqüentemente da universalidade da Igreja. Para o termo catolicismo, criou-se um equivalente: Ecumenismo. As viagens do papa Paulo II (1963-1978) e João Paulo II (eleito em 1978) a todo o mundo aos poucos está conduzindo a Igreja Católica para o reencontro do sentido primordial de catolicidade, pois, avalia-se em 700 milhões o número de católicos em todo o mundo.


Este artigo foi publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 21.
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